Acho que envelheci. Graças a Deus. Demorou um pouco para eu me ligar nas coisas importantes da minha vida, mas antes, minha agonia de viver me fazia tentar movimentar uma multidão inteira que não tinha o menor interesse de se mexer (e ainda não tem). Eu passava mal ao ver alguém enclausurado em sua santa ignorância, acomodado em sua miséria. Obrigava o mundo a ser mais ativo, e dizia sempre que o melhor conselho é o exemplo. Não consegui muita coisa...
Hoje não tenho tanto pique assim de ajudar todo mundo, de correr atrás para as pessoas, ou de ser simpática o tempo todo. Cansei de assumir responsabilidades a mais e não ganhar nada com isso, ou de tentar convencer as pessoas da importância de pequenos atos, como não jogar lixo no chão (um exemplo simples, mas exato). E de pregar a libertação do comodismo.
Hoje, sou mais cética do que costumava a ser, e ainda mais desacredito na humanidade. É ruim dizer isso, não quero ser mais pessimista do que é para ser, mas como diria Raul Seixas: “Confesso abestalhado que estou decepcionado”. Há poucos que pensam no mundo com respeito e verdade. E ainda conciliar tudo isso aos prazeres capitalistas e do consumismo. Os seres humanos não estão preocupados com seu entorno, não estão preocupados se o cara ao lado tem o que comer e não são nem um pouco solidários. É claro que existem as exceções, e elas estão espalhadas pelo mundo fazendo a sua parte.
Eu cansei de pregar a consciência humana, a mudança de hábitos prejudiciais ao meio ambiente, ao desperdício. Hoje faço por mim. Não sofro mais pelos atos alheios (ta, maus tratos com animais ou crianças eu ainda dou meus berros, mas é instinto).
Mas estou cansada de caminhar empurrando as pessoas, então, eu me liberto. Não estou mais disposta a convencer as pessoas das minhas verdades, não prego mais meus ideais e minhas atitudes, nunca movi montanhas e não quero mais tentar mover.
“Faço o melhor que sou capaz só para viver em paz”.
Los Hermanos
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