agosto 20, 2009

Fitoterápicos, homeopáticos e afins

Eu nunca gostei de tomar remédio, evitava ao máximo. Quando eu tinha alguma dor ficava arrastando ela comigo durante horas, até não dar conta mais. É claro que na maioria das vezes eu apelava para o remédio, era só uma questão de tempo, portanto hoje eu não tenho mais frescura para tomar nada, falou em dor, me entrego logo às drogas...

Se eu tinha receio de tomar medicamento de farmácia, os naturais eram sempre bem vindos. Adorava ficar sabendo que alguma coisa é boa para curar doença. É engraçado que tem remédio para tudo e é uma variedade sem fim. Boldo, rabo de tatu, água de batata, óleo de copaíba... raízes, caules e folhas, cada um tem sua história.

É certo que essas receitas, existentes desde os primórdios, foram desprezadas e banalizadas no auge da era farmacológica. Mas, hoje os medicamentos naturais estão na moda e sendo industrializados em larga escala.

Não, você não vai à farmácia e pede ao balconista uma banha de galinha para gripe (ai credo, sua mãe já fez você tomar isso? Misturado no café? Não gosto nem de lembrar...), mas você facilmente irá encontrar um pote amarelo com a seguinte descrição: “Anti-gripal Original – Composto de: Mel, própolis, alho, guaco, agrião, sucupira, poejo (não tenho nem idéia do que venha a ser isso), tanchagem (piorou esse), assa peixe (pelo nome, prefiro ignorar), avenca (acho que conheço esse nome de algum lugar), angico (o mesmo da industria madeireira), romã (é, esse é legal), gengibre, limão, acerola, tangerina, pitanga, eucalipto, óleo vermelho e copaíba”. O cheiro é horrível e não consigo imaginar esse tanto de coisa funcionando ao mesmo tempo no meu organismo, deve ficar confuso e entrar em colapso... Daqui uns dias eles estarão industrializando aquelas garrafadas que servem para tudo, até para derrame.

A Juliete, minha amiga, tem um matinho para qualquer coisa que você esteja sentindo. Agora ela está com mania de uma tal de aguardente, tudo para ela é: “toma uma colher de aguardente, você vai ficar boazinha.” (tenho dó dos meninos dela que tem que tomar uma dose desse troço toda hora que gemem).

Um dia desses, eu estava com uma azia péssima e, de tanto ela falar na minha cabeça, acabei comprando o remédio na farmácia do prédio onde trabalhamos, custou centavos. Quando eu estava subindo que fui ler que a parada era purgante, uma colher e sua barriga queima até expulsar tudinho que tem lá dentro, e daí, já era... (podia só deteriorar né, sem precisar sair nada). Passou um tempinho eu comecei a ficar azul, verde, vermelha, cada hora de uma cor, dependendo da intensidade da força que o remédio fazia para expulsar as coisas. E assim eu fiquei até seis horas da tarde. Naquele dia eu não fui caminhar...

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