setembro 24, 2009

Mudanças e adaptações…

 

Como a gente se sente desacolhido quando nos mudamos para uma cidade nova. Há coisas que nunca nos preocupamos quando, desde criança, moramos no mesmo lugar. Precisa de um médico? Tem aquele que nos fez o parto... Precisa de um dentista? O doutor que fez minha primeira obturação ainda atende no mesmo lugar... Fiado? Uma conta em cada esquina, no restaurante, no mercadinho e principalmente no disk bebidas... É uma solução para cada problema...

Passei 25 anos assim, mesmo quando me mudei para Uberaba (por dois anos e meio) eu continuei sendo fiel a eles. É claro, a confiança é a melhor companheira, e meu exame de vista para renovar a carteira foi feito à distância...

Eu estava tranqüila, na minha... Porém, a coisa se complicou quando 1000 km me separaram de minha amada depiladora. E, de um dia para o outro, eu me vi em outro ponto geográfico e uma situação totalmente nova acabou com meu sossego. Eu me mudei a trabalho, já estava bastante insegura com o que ia acontecer, estava sozinha, me sentia um peixe fora d’água, e esses detalhes de estética e saúde acabaram caindo no esquecimento... até que meus pêlos começaram a crescer...

Quando eu percebi que estava na mão, eu comecei a perguntar onde minhas novas amigas faziam suas necessidades fisiológicas... Mas mesmo assim, era um assunto que me incomodava... E isso fez com que eu adiasse essa árdua tarefa.

É claro que no terceiro mês eu já estava em depressão, tomava banho de olhos fechados, espelho, nem pensar! O desespero tomava conta de mim cada vez que eu imaginava a dor que iria sentir por causa da quantidade desordenada de pêlos que só cresciam. Eu parei de usar saia porque minhas canelas estavam quase pretas e minhas sobrancelhas coçavam cada vez que alguém olhava para elas... Nossa! Foi terrível!! Eu sentia que em todos os meus poros tinha um cabelo brotando.

Quando eu estava prestes a enlouquecer, tomei coragem e fui com a Raquel à depiladora de sua confiança. Nunca mais vou esquecer aquele dia: “Kenga! Tu trouxe mais uma para a roda!” Aiai, mais essa agora, a mulher era doida! Ou, no mínimo, sem juízo... eu comecei a rir, era engraçado a forma de tratamento daquelas duas, mas isso não me confortou muito, parecia que ela tinha um quê de maldade (eu acho que ela tem sim, porque até hoje ela acha graça do meu sofrimento), mas eu precisava muito de me sentir mulher de novo, porque toda mulher precisa estar bem contornada para se sentir bonita e atraente, e muitas delas levam isso totalmente a sério, tornando condicionante para uma boa noite...

Mas ninguém (ta bom, a maioria) se sente muito confortável ao se despir para outra mulher, principalmente se ela estiver usando um jaleco branco, máscara descartável e luvas de procedimento... Essa então, me recebeu com o carinhoso “Kenga!”, pegou no meu braço e me levou até o seu quartinho e, minha amiga lá com aquele sorriso na cara. Blábláblá vai, blábláblá vem e, quase uma hora depois ela termina seu árduo trabalho... depois da sessão de tortura, quando penso que acabou e me preparo para levantar, ela vira para mim, coloca uma espécie de capacete com duas lupas na frente (não sei nem explicar como é aquela parada, só sei que fica com cara de cientista maluco...), pega uma agulha descartável e diz: “Num terminei não, meu bem, já ta querendo correr é?!” Caraca! Que medo daquela mulher, ela começou a enxergar os cabelos lá dentro e cutucava-os para fora (eu fiquei pensando em como ainda tinha pelos para nascerem, acho que eles ficaram lá dentro porque não cabia mais fora)...

Por fim, acabou tudo bem, eu mancava um pouco, estava meio tonta, mas sabia que tinha perdido uns dois quilos,e isso era o mais importante.

Wrinkles Cat

O clásico gatinho peladinho…

2 comentários:

Anônimo disse...

Coitada, meu Deus. O que essa mulher sofre/aprende...
Gostei amiga do tom como sempre cômico/trágico dos seus textos.
LUZ!

Anônimo disse...

Trágio-comédia! Sofri esses tempos também com mudanças de depiladora, cabeleirera e manicura... fui testemunha na ação trabalhista da minha depiladora, perdi o salão que frequentava (os donos me veem na rua e mudam o lado do passeio) e o pior: a vítima se mudou pra São Paulo...Seu caso foi pior, claro... Mas descreveu em uma comédia típica de Bibi! Adorei o texto.