Em homenagem ao Frangel…
Antes de começar a escrever sobre esse assunto, quero deixar bem claro o meu “des-preconceito” aos variados tipos de músicas que escutamos em nosso Brasil. Entendo que cada lugar possui uma cultura específica e minha aversão está mais relacionada à letra mal escrita do que a melodia mal elaborada, não podendo deixar de reparar que quando junta os dois, a coisa fica insuportável.
O que eu quero dizer é que todos os compositores estão sujeitos a cometer certos erros, inventando frases totalmente sem sentido. As gafes estão espalhadas por aí, é só prestar mais atenção ao que você anda escutando.
A gravadora da rede globo, a som livre, lançou recentemente uma coletânea onde se comemora num sei quantos anos da música sertaneja do Brasil e, coincidência ou não, é muito material descartável reunido em um pacote só. Para começar, a primeira música é um Chitãozinho e Chororó azedando meu dia com a frase “Sinônimo de amor é amar” – Puta que Pariuuuu! Alguém tem que avisar a eles que “Amar” é conjugação verbal e não pode ser sinônimo da mesma palavra que o derivou.
Esses dias meu marido colocou no carro um rap horroroso para eu escutar. Não tenho nada contra, mas daí o cara me solta uma frase “Preto desde nascença, escuro de sol”, com aquele sotaque de paulista puxando o ‘r’. Eu não dei conta daquilo, pensei comigo ‘coitado, esse tá na treva!!’.
Se analisarmos bem, não se salva nem o rei Robertão. Ele teve a audácia de cantar “meu cachorro me sorriu latindo” e virou clássico! Uma frase mal construída dessas!! Veja bem, quando alguém sorri, mostra os dentes, e um cachorro mostrando os dentes e latindo não deve ser demonstração de alegria, eu não me arriscaria... então, se de tudo ele continuar querendo formar uma frase horrível dessas, seria mais adequado dizer “meu cachorro me sorriu abanando o rabo”. Ou então, sei lá, não diz nada, às vezes é melhor (não fazendo igual a Ana Carolina que passa meia hora gemendo antes de começar a cantar).
Mas voltando ao assunto, lá estou eu tranqüila, na minha, e vem aquela chata da Sandy me dizer que “o que é imortal não morre no final” Ah, vai cagar! me conta algo que eu não saiba... Penso se pleonasmo é mal de família ou o quê para justificar tamanha heresia com a música brasileira!
As pessoas que me conhecem sabem que meu estilo musical sempre foi mais para o rock do que para a MPB, mas confesso que existem umas pérolas que me intrigam desde a adolescência. O Engenheiros do Hawaii é o pior de todos, a falta de sentido já começa pelo nome, mas a coisa piora mesmo quando analisamos algumas de suas letras: “Pára-raios em dia de sol para mim” – nada romântico, tá chamando a mulher de inútil, para quê serve um para raios em um dia de sol?! Outro clássico da má escritura (kkk): “Diga a verdade, doa a quem doer, doe sangue e me dê seu telefone”, gostaria de saber em qual ordem é para fazer isso tudo, e se existe algum sentido, porque, doa a quem doer, é ridículoooo!!
Esse assunto é infinito, dá para escrever um livro só de comentários sobre a criatividade dos compositores do nosso Brasil varonil. É claro que outros países são produtores de idiotices também (a começar pelo rap americano, nunca vi tanta imbecilidade junta, os caras só falam de grana e vadias, acho que a inspiração dos funks cariocas veio de lá), mas o que o cérebro não entende, o coração não sente...
4 comentários:
É isso ai Fabi.
Já ganhou! Já ganhou!
Fico lisonjeado com tanta consideração, mas a propósito pq mesmo????
Ah meu amigo, porque o que é imortal, não morre no final!!
Adorei...aliás, adoro o jeitão que vc escreve ahahaha
mas, me fala..o que q o Frangel tem a ver com isso hehe
bjo
Raquel
ah! porque ele tira cada uma do baú! Seu nome é 'Cantor de música brega'
Valeu a força amiga, amo vc!, pena que só no anonimato vc consegue escrever aqui...
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