novembro 05, 2009

Caronas

Acho que a origem da palavra "Carona" tem tudo a ver com o tamanho da cara-de-pau do individuo que acha que ninguém é desconfiado na vida. De qualquer forma o cara sabe que pegar carona é super difícil nos dias de hoje, mas mesmo assim ta lá de dedão na pista olhando pra todo mundo que passa com aquela cara de cachorro esquecido na mudança.

E falando em caras, já dizia o velho ditado: quem vê cara não vê coração. Eu concordo que os estereótipos estão sempre perseguindo a gente. Tem tudo a ver esse lance de "tipo de gente e sua decisão de dar ou não uma carona". Na época da faculdade eu estudava em Uberaba e ia para a casa dos meus pais pelo menos uma vez por mês. Todos sabem que, por mais filhinho de papai, estudante é sempre um pé rapado sem grana. E sempre procura um jeito de ir a algum lugar sem gastar um tostão. Eu tinha um carro pra ir pra casa, mas nunca tinha companhia, muitas vezes ia sozinha rezando pra que o pneu não furasse ou para não atropelar um urubu (acreditem: aconteceu uma vez!) até porque meus trajes não eram lá essas coisas muito tampadas, eu gostava de viajar bem à vontade (até que um dia eu calculei mal a gasolina e tive que pegar carona com um caminhoneiro até a cidade mais próxima, depois disso eu nunca mais usei saia curta!).

Bom, como estava dizendo, nem sempre tinha alguém para ir comigo e eu ficava esperando chegar até Uberlândia pra pegar um desses estudantes que gastaram a grana do ônibus na balada e só restava contar com a sorte. Era até bem esquematizado, as pessoas carregavam uma plaquinha com o seu destino esfregando na cara da gente enquanto passávamos no quebra-molas. Eu olhava pra cara deles com análise. Tinha uns que já me conheciam (e me odiavam porque eu nunca os levava), mas eu procurava primeiramente as mulheres. Era difícil, pois elas nunca estavam em menos de cinco (gente, que burrice, um carro cabe no máximo 4, elas tinham que se dividir, mas não, saiam todas correndo e gritando em direção ao carro e eu tinha que escolher quem levar).

Em uma dessas ocasiões eu, em sã consciência, tentando quebrar esse meu lado analítico de rostos, decidi dar carona a um bando de hippies que ia para Brasília (não me pergunte o por quê). Todos muito gentis. O problema é que eles empolgaram quando perceberam que eu estava escutando Janis Joplin, e acenderam um baseado enoorme achando que eu iria achar super normal (claro, tenho 10 tatuagens e escuto Janis Joplin = sou maconheira; não tenho pra onde fugir). Meu Deus! Entrei em Pânico! Sem contar que eu demorei pra sacar que era fumo, pois a suvaqueira reinava dentro daquele apertado uno duas portas sem janelas traseiras. Eu só pensava no meu pai! O que meu pai ia dizer se por acaso a policia parasse meu carro (pensa num carro que só se via fumaça e cabelos grudentos). Não teve jeito: arrumei uma desculpa qualquer e avisei que iria parar na próxima cidade, sei lá fazer o quê, mas tinha que me livrar daquilo.

Resultado: nunca mais dei carona pra alguém que não conhecesse.

Asleep_On_The_Wheel

Outra combinação nada legal: gatos e carros!

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