março 16, 2010

As Domésticas dos Nossos Lares

 

Desde que me mudei para Palmas eu tenho que dar conta das minhas coisas. Sou a doméstica de minha casa. No começo era um pesadelo só. Primeiro que eu não sabia fazer um pão com ovo (ta bom, eu ainda não sei fritar um ovo que fica inteiro, mas existe técnica especializada pra isso e meu marido está me dando aulas intensivas...), eu não almoçava em casa pra não sujar vasilhas, e passava o sábado inteiro jogando água no chão da minha quitinete disfarçada de apartamento.

E assim foi o primeiro ano de minha nova fase: aprendendo a lavar roupas (uma vez eu pintei todas as minhas roupas de rosa. Na verdade eu detesto rosa e não tenho nada dessa cor, mas a porqueira do vestido era vermelho e daí, já viu né!).

Após um ano aperfeiçoando meus dotes culinários e do lar, eu me mudei pra uma casa bem grande (nem era tão grande assim, mas lembrem-se, eu vim de uma quiti, ops, apartamento, e qualquer casa com quintal era grande, e se tivesse a cozinha separada da sala então, era uma mansão...) e daí as coisas começaram a se complicar.

Contratei uma menina pra me ajudar. Nosso primeiro encontro foi bem marcante, ela estava usando um batom vermelhasso, que combinava com suas unhas enormes, maquiagem, um short bem curto e sandálias altíssimas, até aí tudo bem, quem sou eu pra julgar as pessoas pelo que elas vestem... Mas, quando falamos em horários, ela me disse que chegaria depois das oito, porque ela mantinha um emprego noturno... É! Mesmo sem querer, minhas desconfianças apontaram para um lado só... Imaginem que eu teria uma empregada que também era profissional do sexo! Mas para a minha segurança, não era nada disso, a menina trabalhava em um restaurante, era garçonete. Bom, não deu certo, porque a única coisa que ela fazia direito era lavar as vasilhas (e mesmo assim tive que comprar aquelas luvas amarelas de borracha para a dondoca usar, vocês não imaginam a cena, parecia que ela tinha saído de um salão de beleza direto pra minha casa, de tão vaidosa que a mulher era).

Neste meio tempo eu me casei e fui para uma casa bem menor (era uma quitinete disfarçada de sobradinho), mas mesmo assim, eu já tinha perdido a prática de um ano atrás. Começamos a luta por uma ajudante. Elas vêm fácil e vão embora fácil também. É só dizer que elas não fazem algo como você gostaria que fizessem (porque daí elas começam a vingar de você). Meu drama começou cedo com a nova faxineira, eu logo notei que minhas roupas brancas mudaram de cor. Todas elas ficaram creme... Pesquisei até descobrir que a prática moça colocava todas as minhas roupas brancas junto com as meias super encardidas do Fred (que também eram brancas). Isso foi só o começo, um dia, eu a vi lavando os tapetes da casa e as roupas de cama tudo junto dentro de uma máquina só (engano seu se você acha que ela limpava ao menos o filtro a cada lavagem).

Daí pra frente foi só piorando, comecei a dar falta de um monte de roupa e ela quase levou fama de ladra, mas certo dia, quando eu abri meu baú pra pegar uma mala para viajar, eis que encontro um monte colorido embolado (tinha peça que eu nem me lembrava mais que existia), algumas manchadas, outras sem botão ou com zíper estragado. Dessa vez não teve jeito, era o fim do nosso contrato de serviço. As heranças deixadas por essa menina eu gostaria de esquecer, mas até hoje me ligam da creche onde os filhos dela estudam pra dizer que eles estão esperando por ela há mais de uma hora...

A terceira e última de minhas experiências não foi nada legal. Primeiro a mulher tinha uma cara de sonsa que Deus me livre, mas era só cara mesmo, porque na primeira semana ela pediu um aumento, eu não dei. Daí, na hora do almoço, ela me pediu um adiantamento, que eu também não tinha, e no mesmo dia ela comprou um vestido e uma blusa de umas roupas que eu estava vendendo (olha eu me sentindo A otária...). Além disso, ela era mais preguiçosa que baiano de férias e toda vez que meu amor (que é baiano hehehehe) pedia pra ela passar uma camisa dele ela virava e dizia “Ahhh! Não vai dar tempo, porque aqui o serviço é pesado” (imaginem uma casa de 3 cômodos ser serviço pesado). Até que um dia ela ficou com raiva de mim porque eu disse que passar roupas fazia parte do serviço pesado dela e que ela tinha que dar conta dele. Pronto, daí pra frente fudeu tudo, a mulher surtou! Primeiro ela lavou e guardou um prato quebrado (e detalhe: quando pedi explicações ela disse que eu poderia utilizar ele como uma espécie de obra de arte (!!!)). Eu já tava me fudendo com as causas dela, queria que ela vazasse dali. Porém estávamos de mudança (ops, uma conversa e três mudanças...) de novo e eu tinha que ter paciência. Nessa mesma semana, eu acordei cedo pra colocar as roupas na máquina de lavar (ninguém nunca mais lavou minhas roupas...) e quando fui pegar o sabão em pó, eis que tinha um saco cheio de cocô dos meus gatos, embrulhadinho na dispensa, aquela vaca guarda bosta, de certo pra comer né... e nem era ela quem catava os excrementos do meu gato... Nada me tira da cabeça que foi tudo premeditado...

Ok, sem preconceitos, tentaremos novamente uma outra “ajudante”, que a essa altura não sei bem se esta seria a palavra ideal para classificá-la.

My_New_Toy

Uma princesinha de faxineira

4 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom!! Adorei o post!
Abraço miu!

Anônimo disse...

Amiiiiga, vc me mata de rir...o pior é que lembro de todas essas estórias kkkkkk

ah...mas o melhor é a foto do gatinho...é a cara do Darwin...
amoooo

Ferreira Neto disse...

É, ajudantes do lar são importantes em nossas vidas mesmo, mas talvez nem elas saibam o impacto que causam em nossa existência.
Tive uma, a alguns anos, que insistia em beber o alcool que eu usava na higiene da casa.
Um dia, 3 litros de alccol depois (no mesmo mes) eu fui perguntar pra ela o que estava acontecendo e ela me respondeu:
"Alcool evapora muito rápido mesmo, o senhor precisa comprar mais. E um de melhor qualidade."
Acho que o gosto do atual não era lá muito bom...

Unknown disse...

Acho que deveríamos ter câmeras escondidas em casa para depois mostrar a elas o quanto são doidas... mas esse texto é antigo, ainda vem a parte II...