julho 15, 2010

O outro lado dos hotéis… Aqueles com menos estrelas…

 

Esse post é em homenagem à Raquel…

cat-hotel

Depois de escrever sobre hotéis luxuosos, tenho que dizer que nem sempre fui feliz ao me hospedar em alguns lugares, especialmente a trabalho, quando tenho que ir a cidades muito pequenas, onde artigos de sobrevivência são meros luxos de uma patricinha. Tudo bem, posso parecer meio fresca, mas é difícil aceitar o fato de você subir e descer de nível em uma velocidade incrível e ter que se acostumar a ser pobre de novo, e às vezes, muito pobre.

Tipo, se acostumar com roupas de cama cheirando a naftalina, cujos lençóis são de algodão 50 fios… e tão pequenos, que se enrolam todinhos enquanto você dorme. Uma vez o colchão era tão sujo que me deu alergia no lugar que ficou descoberto… Ou ainda, aquele que, de tão velho, tem o formato certinho do corpo, e quando vc deita, ele te afunda no meio da cama. E o café da manhã? Aquele potão de margarina tão melecado que rança nas beiradas, o pão com sabor de gaveta e consistência de borracha, e um café tão doce que dá disenteria.

Mas o que me irrita mesmo é a tal da ducha fria. É frustrante você chegar em ‘casa’ cansada, depois de um dia inteiro no meio do mato e não ter uma água relaxantemente morna, mas ao invés disso, a água é tão fria que você se cansa mais ainda por causa do esforço que se faz  contraindo o corpo para aquela água bater com menos choque (se for para lavar a cabeça então… suas costas envergam igual graveto, fazendo de tudo para o gelo não descer pelas costas). E para combinar com o banho frio, eles te dão uma toalha minúscula que não enxuga (e também com o suave perfume de veneno para matar barata)! Ou então, quando tem chuveiro elétrico, é aquele tão entupido que só desce um fiozinho de água sapecante e a gente fica com falta de ar de tão fumacendo que fica o banheiro.

Hotéis pequenos também possuem uns contratempos de origem gerencial, ou você vira melhor amigo da família dona do hotel, ou seu pesadelo não se limita a uma cama ruim. Uma época tive que trabalhar em uma remota cidade na divisa do Tocantins com o Maranhão. O lugar é até interessante, se não fosse tão esquecido. O primeiro hotel que conheci chamava-se ‘paraíso’ e por alguns minutos pensei que era pegadinha. A louca que veio nos atender já era uma boa conhecida da turma que estava comigo, mas minha grande amiga Val já havia me advertido que aquela mulher era uma cobra. Eu respirei fundo e topei a parada, sem saber o que estava por me esperar, mas já preparada pra tudo... ou quase tudo!

O corredor apertado não abafava o som daquela voz fininha atravessando os quartos em uma canção ininteligível. Dez horas da noite ela fechava as portas do hotel, dizendo que a casa dela era de família. Até tinha suas vantagens, acabava selecionando a clientela, e aqueles viajantes mulherengos passavam longe dali (um dia, no meio da noite, ao abrir a porta do hotel para um hóspede depois da farra, ela expulsou a ‘namoradinha’ que estava com ele, e como se não bastasse, ainda o desmascarou dizendo que o cara era casado). Mas se algum de nós dava uma saidinha, tinha hora máxima de chegar, como se fosse pensionato de freiras, ou então contava com a sorte dela te escutar de madrugada e querer abrir a porta pra você. O café da manhã também era inspecionado. Nós, que ficamos mais tempo que os outros hóspedes e criamos mais intimidade do que convinha, tínhamos uma quantidade certa para comer. Um dia ela brigou com nosso colega porque ele excedeu 3 pães de queijo. Com o suco era a mesma coisa, se tomássemos 2 copos ela já começava a olhar feio pra cara da gente. Todos os dias de manhã eu comia meu pão francês e negociava os pães de queijo com a Raquel.

Aliás, a Raquel foi a única mulher que conseguiu amizade com ela, o resto de nós era desprezado. Um dia, a Roberta lhe pediu um cobertor e a resposta foi que ela não podia lhe dar porque a única que tinha, a Raquelzinha usava quando ia pra lá (só que a ‘raquelzinha’ estava a uns 500 km do hotel daquela megera e era nossa amiga, portanto, nada a ver ela negar). Nem a irmã da Raquel caiu nas graças dessa senhora e a confusão foi tão feia, que finalmente a Raquel tomou partido e ficou do nosso lado. Não, eu não participei dessa confusão, a minha foi particular.

Em um dia de bom humor, ela resolveu abrir a porta para um bando de homens já alcoolizados procurando lugar para dormir, e eu, que já estava dormindo, acordei com a barulheira infernal desses senhores, já era meia noite e esses caras não se aquietavam de jeito nenhum nos quartos, até que eu fui pedir para a proprietária falar com eles para diminuírem o barulho, só que deu efeito contrário... ela surtou comigo! Eu nem lembro direito as palavras que ela usou, mas sua frase final foi marcante: Se não está satisfeita em meu hotel, eu expulso!” (reparem, ela não disse pra eu escolher). Então, antes de me expulsar, eu ‘gentilmente’ ‘cedi’ a vaga para outro. O problema é que já era quase 1 hora da manhã e não tinha lugar nenhum pra eu ir, mas saí de lá, descabelada, com a roupa que pude achar na hora e com uma super mala na mão. A sorte foi que as pessoas conheciam a gente porque passávamos bastante tempo lá, e a dona de um hotel (acho que ela só estava esperando a zebra acontecer) me colocou no mesmo quarto de sua filha até desocuparem um para mim, ali sim, parecia um pensionato... o café da manhã era em uma mesa grande e todos comiam juntos, inclusive os donos, era um barato aquilo!

Voltando ao assunto, Tudo pra aquela megera era “eu expulso do meu hotel...” Só para vocês terem uma idéia do que estou falando, teve uma vez, era época de eleição e havia uma candidata a deputada por lá (ela guarda o santinho da outra até hoje, na cabeceira de sua cama), e a assessora dela, só de toalha, abriu a porta do quarto e lhe pediu um sabonete. A dona do hotel disse que ela não fazia esse tipo de serviço e a mulher saiu reclamando... ah, pra quê! Foi expulsa do hotel de toalha e tudo! Ela só não saiu assim porque a toalha era do hotel e ela tinha que devolver, senão... ah! E tudo isso que contei agora, acontecia na nossa frente, sem o menor pudor!!

Outras coisinhas menores aconteceram nesses quase 2 anos freqüentando aquele hotel, como uma faca quebrada, daquelas de serrinha com cabo amarelo, ela encheu tanto o saco da gente até pagarmos a porcaria da faca. Íamos comprar umas 20, mas nosso desaforo não ia ser reconhecido. Vez ou outra ela ia inspecionar nosso quarto e ficava reparando em tudo, se ela visse uma camiseta ou uma calcinha com cara de terem sido lavadas no banheiro, lá vinha ela com aquela voz estridente encher nossas cabeças de blábláblá.

Olha, vamos ser sinceros: a gente fazia muita piada, temos ótimas lembranças, mas ainda bem que já passou...

All_Out_Of_WaterEssa casinha tá um pouco pequena para  o meu gato gordo! acho que ele preferiria sua cadeira mesmo…

4 comentários:

Anônimo disse...

Amigaaa...Valeu pela dedicatória kkkkkkk
mais uma vez morri de rir só de lembrar daquele tempinho...ôoo vida, foi foda..mas qdo a gente lembra até q bate uma saudadezinha né kkkkkkkkk

Raquel

Unknown disse...

É... saudade de leve... kkkkkkkkkkkk prefiro a gente em um hotel de luxo, escolhendo o prato mais barato...

Anônimo disse...

Fabi! Como gosto de ler estas suas histórias engraçadas! rsrsrs Fiquei imaginando todas estas inusitadas situações que só você vive mesmo!!!!! Saudade! Beijos!Marina

Unknown disse...

Oi Marina!! Tava vendo aqui, vc foi minha companheira do luxo e a Raquel, do lixo!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Saudade! Beijos!