Essa história surgiu na verdade, depois que comecei a enumerar situações que me deixam completamente nervosa. Tudo bem que, quando eu era criança, minha mãe me chamava de ‘branca de nervo’ e adorava dizer que eu tinha um ‘sistema muito nervoso’, mas acontece que tem coisa que é quase universal nesse mundo irritável, e a paciência, ou a falta dela, se manifesta em diferentes graus em cada ser vivente.
Por exemplo, pensa em um quarto escuro, com uma cama super confortável, lençóis 200 fios e uma muriçoca dando rasante em seu ouvido enquanto você dorme! Aliás, uma não; várias, ou você já viu muriçoca andando sozinha? Eu sempre vejo em bando, às vezes em fila... Isso é fator irritante nº 11 em uma escala de 0 a 10!! Eu estou morando em um verdadeiro paraíso das muriçocas e toda noite tem convenção no meu quarto. O Fred arranjou uma raquete elétrica de torrar insetos. Antes eu nem encostava, tinha medo de choque e dó das bichinhas, hoje fico viajando que to num torneio de tênis. É estranho o cheiro que dá de galinha sapecada. Uma vez ele inventou de matar uma maria-fedida que passeava alegremente pela sala no momento do limpa noturno... me lembro até hoje do fedor que empesteou a casa inteira.
Outra coisa raivosa é toalha que não enxuga! (geralmente aquelas cheias de colorido, com um leopardo na capa ou com uma estampa de super-herói, vendidas em caminhão no meio da rua; os hotéis daqui da região só usam essas) Aquilo esfrega a água no corpo da gente e só! Você continua todo molhado (e morrendo de frio), o creme hidratante escorrega em suas pernas e vira aquela pasta branca, sua calça, que já é justa, não entra de jeito nenhum, ou seja, é uma contramão só! Se o cabelo estiver molhado então... é a pior coisa do mundo, além da calça não entrar, a blusa fica grudada no seu corpo, meio torcida, agarrada na barriga... Horrível! Quer a situação pior? Faça tudo isso ainda dentro do banheiro (se for de hotel então, ele é minúsculo, sem box e com certeza, ensopado!!)
Saindo do quarto e indo para a sala, existe outra coisa que eu também não dou conta, é de abertura de novela. Caraca, 95% das músicas tocadas em novela se tornam insuportáveis para o resto da vida! Aquilo gruda na cabeça e a gente fica cantando só o trechinho da vinheta que passa o dia inteiro. Agora a mania é pegar clássicas músicas da época da nossa avó (tá bom, da mamãe também), tipo Vinícius de Moraes (alguém se lembra de “Páginas da Vida” e sua musiquinha: ‘fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho’? ou a Elis Regina cantando ‘Alô, alô marciano’, com aquela voz de taquara rachada). Não é que a música se torna ruim, mas toda vez que escuto “Você é Linda”, do Caetano Veloso, eu imagino uma mulher fantasmagórica tirando a roupa...
Mas acho que nada irrita mais do que seu colega de trabalho assoviando a música que ele escuta no fone de ouvido. Na verdade, me irrita mais ainda quando ele assovia o toque do celular do outro colega, que, diga-se de passagem, é insuportável e pra piorar, ele nunca carrega aquele trambolho barulhento. A cidade inteira liga justamente quando ele não se encontra por perto. É um desastre total, e no meu caso, ambiental!!
Aliás, de desastres ambientais meu currículo está cheio... minhas experiências em campo nem sempre foram agradáveis, já levei muita picada de mutuca (elas furam a calça jeans) e me acidentei com peixe (uma vez eu levei uma ferroada tão violenta de mandi que demorou meses para sarar... me lembro até hoje daquele peixe se debatendo, suspenso pelo ferrão grudado em minha mão... e um bando de homens rindo da minha cara – até que um deles foi solidário e tirou o bicho de mim, pior é que todo mundo tinha uma mandinga para sarar a dor, um queria tirar o olho do peixe, o outro mandou eu fazer xixi na mão; eu tive que sair correndo até um lugar seguro (no caso a enfermaria do canteiro de obras, para que uma mulher com um decote branco sensual – deixando à mostra a tatuagem de uma rosa com espinhos em seu seio esquerdo, me atendesse).
Ainda em campo, posso dizer que ataque de abelhas não é nada legal, apesar de constante, elas são muito bravas e já chegam de bunda... Uma vez eu levei 3 ferroadas no queixo (a única coisa q ficou descoberta enquanto eu corria sem rumo). Fora a dor, fiquei desfigurada uns 2 dias. E picada de abelha não é desculpa para não trabalhar, especialmente se você está de temporada acompanhando o desmatamento, onde eles não podem trabalhar sem a sua presença... O pior de tudo? Em todas as ocasiões, eu tenho que dar uma de macho e fingir que esta tudo bem, quando a vontade é chorar até não ter mais lagrimas para descer... E quando eu me lembro do quanto era topetuda na infância, me sinto na obrigação de engolir o choro...
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